Primeiros contatos com o FATO VOTIVO (1999-2003)

Igreja do Nosso Senhor Bom Jesus do Bonfim, Salvador-BA, /01/2000

Igreja do Nosso Senhor Bom Jesus do Bonfim, Salvador-BA

A lembrança mais antiga que guardo sobre os ex-votos talvez esteja entre os meus seis e sete anos de idade. Era uma propaganda televisiva da inauguração do Museu dos Ex-votos da tradicional Igreja do Nosso Senhor Bom Jesus do Bonfim, em Salvador-BA. Sem muita dificuldade, lembro da locução que ditava alguns relatos votivos, com um fundo musical que me despertava algum pavor. A única imagem de que me recordo com clareza era de uma pintura azulada e brilhante, que remontava uma cena de naufrágio.

Anos depois, os ex-votos apareceram novamente. Em setembro de 1999, guiado pelo grande amigo mineiro Melquisedeque Silva (Melqui), visitei o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas-MG. Acontecia então a festa do Jubileu, que há séculos atrai, todos os anos, milhares de devotos a um dos santuários mais famosos do Brasil, localizado num sítio histórico tombado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade (1985). Retornei ao estado de Minas Gerais inúmeras outras vezes entre 1999 e 2003. Desde o ano de 2001, aquele sítio tornara-se o germen inicial da minha tese de doutorado, que sofreria ainda muitas reconfigurações pelos anos seguintes.

Não foram necessários muitos meses para a minha curiosidade me levar a dois sítios votivos próximos a Salvador-BA: o Santuário de Nossa Senhora das Candeias (Candeias-BA) e o culto ao Senhor dos Passos (Igreja do Carmo Menor, São Cristóvão-SE), que me despertaram novos questionamentos, uma enorme disposição comparativa e, por fim, enorme apetite para investigações documentais e bibliográficas acerca desses e de outros cultos.

Em janeiro de 2003, realizei uma viagem de caráter meramente fotográfico a países da região andina (Bolívia, Peru e Chile), no que deveria ser apenas uma viagem de férias. Na oportunidade, me chamaram a atenção a volumosa presença de cruzes e capelinhas em beiras de estradas (especialmente na Bolívia) e a pouca frequência de oferendas votivas nos mesmos moldes que se observava abundantemente na Bahia e no Brasil. Em uma visita ao Santuário de Nuestra Señora de Copacabana, nas margens bolivianas  do Lago Titikaka, observei uma grande e movimentada sala de velas, mas nem dentro do templo nem nos seus arredores encontrei as oblações típicas, apesar do reconhecido vigor da tradição devocional e da fama milagreira da santa.

© Todos os direitos reservados

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s