Gracias Gauchito Gil por todos los favores recibidos

Santuário Gauchito Gil, cercanias de Mar del Plata, Prov. Buenos Aires, Argentina

Comemora-se no dia de hoje o mais popular dos santos populares argentinos: Antonio Mamerto Gil Nuñez, também evocado como Gauchito Gil, Curuzú Gil, Gauchito Milagroso, El Gauchito. Na nação celeste e branco, as entranhas são de um vigoroso vermelho. Não há estrada, de leste a oeste ou norte a sul do país, onde não se encontre, ao passar de poucas dezenas de quilômetros, inúmeros santuários dedicados ao “santo rutero”, padroeiro dos motoristas e muito simpático aos delinqüentes, bandidos e foras da lei.

O conjunto de cultos e canonizações populares na Argentina é dos mais ricos da América do Sul, situando-se num patamar apenas comparável com as manifestações do Brasil e da Venezuela (especialmente no alcance das cortes do culto marialioncero). Seu “santoral profano” apresenta uma vasta galeria de tipos devocionais: sanadores, iluminados e guias espirituais, anjinhos, mulheres trágicas, gaúchos milagrosos. E a lista dos gaúchos é grande: Gaucho Juan Bautista Bairoletto (San Rafael), Gaucho Cubillos (Mendoza), Gaucho Lega (Saladas), Gaucho Bazán Frías (Tucumán), Gaucho José Dolores (San Juan), Gaucho Antonio María (Concepción), Curuzú José (General Paz), Francisco José, Turquiña/Miguel de Galarza, Gaucho Mariano Córdoba, Juan de los Dios Campos (Santiago de le Esteros), Julián Baquisay, Gaucho Altamirano, Finado Chiliento (Monteros). Nenhum deles tem alcance comparável ao santo do dia. O gaucho é um tipo humano mestiço das matrizes indígena, ibérica e africana, em geral ligado ao trabalho na pecuária, e cuja presença se espalha desde a região do río de la Plata (especialmente nos Pampas) até a Patagônia.

Supostamente morto em 08 de janeiro de 1878, as narrativas sobre o mito do Gauchito Gil são variadas. Em comum, guardam o fato de que sua morte foi injusta. O seu principal santuário foi erigido no local de seu martírio, nas proximidades da cidade de Mercedes (província de Corrientes), no cruzamento das rutas 123 e 119. Ali, centenas de milhares de fiéis chegam em todos os tipos de veículos (automóveis, caminhões, bicicletas, cavalos) e de todas as partes do país para celebrar o senhor das estradas. Poucos quilômetros adiante, na pequena cidade de Mariano I. Loza, encontra-se o Santuário de San La Muerte, outro mito popular cuja narrativa integra a biografia de Antonio Gil.

Nos últimos anos a Igreja Católica se aproxima gradativamente do culto. Em 2012, pela primeira vez, a diocese de Goya deslocou ordinário religioso para celebrar missa na Iglesia Nuestra Señora de Las Mercedes. Não se tratava exatamente de uma missa no Santuário, nem dedicada abertamente ao gaúcho, mas confirmava a intenção eclesiástica em participar ativamente da organização do trabalho religioso em torno da promissora figura devocional. Contrariando suas qualidades de fora da lei, a Igreja destaca suas virtudes heroicas. Gil sai da condição de quase bandido e vai à condição de injustiçado. Sem dúvida uma credencial mais digna para a ressignificação da sua personalidade e para o ingresso no rol dos servos de Deus.

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Estandarte votivo no Santuário Gauchito Gil, Mercedes, Corrientes

Como nas migrações festivas do Brasil, todos os anos são assustadoras as estatísticas de graves acidentes automobilísticos envolvendo romeiros/promessantes, e gerando toda sorte de superstições e ditos amaldiçoados sobre as rutas e seu trânsito, como se vê neste vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=SQQTmnv8_gM

O mito de Gil, em tradução livre da síntese de Félix Coluccio (in Cultos y Canonizaciones Populares de Argentina):

O gaucho Antonio Mamerto Gil Nuñez, o Antonio Gil, ou Curuzú Gil, em meados do século XIX, havia organizado nos arredores de Mercedes, Corrientes, um bando cuja imagem mais favorável era a de que roubava os ricos para dividir o obtido entre os pobres.

Tinha por esta razão uma boa fama entre a gente do povoado, que o ajudava em qualquer oportunidade, amparando suas fugas, proporcionando-lhe alimentos quando se escondia no monte, etc.

Contudo, surpreendido por uma patrulha policial, foi detido. Dois dias depois, o amarraram aos pés de uma algaroba e o degolaram. Mãos piedosas lhe deram uma sepultura e colocaram uma cruz em seu túmulo, que converteu-se em lugar de culto.

Quando visitamos o lugar, chegaram muitos cavaleiros, que levavam para deixar em lembrança e cumprimento de promessas, bandeiras e estandartes vermelhos (dizem que era federal). Não faltam placas votivas, nem flores vermelhas (naturais ou de papel), testemunhos de afeto e gratidão por graças recebidas.

Oración del Conductor ao Gauchito Gil

Concedeme Señor
una mano firme y una mirada alerta
para no herir a nadie a mi paso.
Tu que eres el autor de la vida,
no permitas que ningún acto mio
pueda dañar lo que ti viene.
Protege señor a los que me acompañan
a usar de mi coche para servir a los demas
y haz que el amor a la velocidad no me
haga despreciar la belleza del mundo
que tu has creado.
AMEN

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