I Seminário LETRA, UFCG

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Entre os dias 03 e 05 de junho de 2014, a cidade de Campina Grande-PB foi palco do I Seminário do Laboratório de Estudos Sobre Tradições (LETRA), grupo de pesquisa fundado na Unidade Acadêmica de Ciências Sociais (UACS) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Na oportunidade, compus a Mesa Redonda 5, “Percursos de Devoção e Atividade Ritual em Perspectiva: reflexões a partir de alguns contextos latino-americanos”, junto com Sérgio Góes Telles Brissac (MPF/CE) e Eloi dos Santos Magalhães (UFC). Apresentei a comunicação intitulada “Redenções, expurgações e outros casos de reparações coletivas pos-mortem nas canonizações populares da América do Sul”, que será posteriormente publicada na Raízes – Revista de Ciências Sociais e Econômicas, do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Campina Grande. O evento teve a liderança dos antropólogos Rodrigo de Azeredo Grunewald e Verena Sevá Nogueira, e contou com o apoio da CAPES, CNPq e Associação Brasileira de Antropologia (ABA).

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Senhor do Bonfim da Bahia: celebrações e práticas votivas

Montagem de fotos de Luís Américo Bonfim

Muitos textos… Tantas palavras. 1o Ano Ensino Médio/SESI-SP. 1. ed. São Paulo-SP: SESI, 2012.

Depois de muita espera, recebi um exemplar da publicação do SESI-SP/Módulo Editora (PR), Muitos textos… Tantas palavras, na qual contribuo com um dos capítulos. Trata-se de uma reflexão sobre a Lavagem do Bonfim pós-Dom Lucas Moreira Neves, quando, há aproximadamente quinze anos, os espaços entre o sagrado e o profano, o espontâneo e o institucional, também eram motivo de entreveros nas festas de largo da capital baiana. Foi uma das minhas primeiras experiências etnográficas, agora disponível para o debate de jovens do 1o Ano do Ensino Médio. Infelizmente, o texto publicado no livro não considerou a revisão (alterações e atualizações) que enviei à editora com longa antecedência. Os editores descobriram um texto meu escrito em 2000, fossilizado na internet, que seria ajustado para compor a publicação que eles organizavam. Lamento por outras derrapadas gráficas, agora irreversíveis, mas ainda assim gostei da menção.

Link para download do texto enviado à Editora, em PDF: http://pt.scribd.com/…/BONFIM-LAS-Lavagem-Do-Bonfim…

E aproveitando o ensejo, seguem algumas considerações sobre as práticas votivas dedicadas ao Senhor Bom Jesus do Bonfim, num recorte de trechos da minha tese.

Os ex-votos do Senhor do Bonfim

O termo “bom fim” define um rito de passagem: a boa morte, o “bem morrer”. No Brasil de antanho, a partida ideal para o mundo dos mortos, especialmente entre os mais abastados, deveria contemplar o passante não apenas dos indispensáveis sacramentos cristãos (comunhão, penitência e extrema-unção), mas de uma assistência solidária de todos os seus entes mais próximos. O historiador João José Reis, no seu livro A morte é uma festa, acrescenta que “a boa morte significava que o fim não chegaria de surpresa para o indivíduo, sem que ele prestasse conta aos que ficavam e também os instruísse sobre como dispor de seu cadáver, de sua alma e de seus bens terrenos”. O “bom fim” era garantia de distância do inferno. E com fé no Nosso Senhor do Bonfim, foi trazida de Portugal para a Bahia, em 1745, uma imagem-reprodução do Cristo Crucificado diretamente da Igreja de Setúbal, pelas mãos do Capitão-de-Mar-e-Guerra Teodósio Rodrigues de Faria, como pagamento de uma promessa pactuada numa de suas dramáticas travessias do Oceano Atlântico. O culto iniciou-se na Igreja da Penha, sendo nove anos depois conduzido para a igreja do alto da colina de Itapagipe (também construída como uma oferta votiva), onde se encontra até hoje.

Para o historiador e crítico de arte Clarival do Prado Valladares, em seu livro Riscadores de milagres: um estudo sobre arte genuína, a característica mais relevante para a evocação ao Senhor do Bonfim “é a de socorrer nas angústias da morte próxima, nos perigos e na beirada das grandes frustrações”, sendo chamado de “nosso Pai”, “o Poderoso”, “o meu Senhor”, “o meu bom Senhor”. Nesta obra, um dos mais interessantes estudos brasileiros dedicados ao assunto,  Valladares apresenta o esboço de um inventário das “salas dos milagres” da Igreja do Bonfim, analisando, com muita objetividade e critério, quase 150 peças votivas de diversas tipologias, fruto de duas incursões ao lugar, a primeira entre 1939-40 e a outra entre 1960-61. Apesar deste considerável intervalo entre as duas visitas, Valladares não revela conclusões sobre algum tipo de ação do tempo sobre as peças e expressões votivas observadas, nem se aprofunda em direção a uma análise das relações religiosas. Seu enfoque é estritamente voltado para a crítica de arte e interessado na “manifestação estética do artista primitivo” (…) “aquele que produz ou constrói, objetos de qualidade ou de causalidade artística para o consumo implícito ao seu meio sócio-cultural”. E segue, “primitivo significa, neste ensaio, o artista genuíno desprovido da habilitação e do discernimento, exigidos pela civilização, no reparo dos objetos destinados ao consumo e ao deleite dos estratos sociais elevados”. Talvez hoje em dia se possa considerar estas definições um tanto quanto etnocêntricas, mas são capazes, ao menos, de determinar sistemas de valores sociais que ainda não foram superados completamente na atualidade. Por isso elas ainda guardam algum sentido didático.

Valladares é cauteloso ao tomar distância das avaliações de ordem religiosa (intentando libertar os ex-votos de “outras atribuições”), e deixa claro que sua seleção levou em conta as peças que mais o “impressionaram, por uma qualidade artística ou por alguma razão de ordem científica”. A obra concede uma inédita visibilidade aos ex-votos do Senhor do Bonfim e apresenta generosas fontes históricas sobre as práticas votivas no mundo ocidental, além de um breve estudo acerca da “arte cemiterial popular” da capital baiana.

Sem uma preocupação mais sistemática do ponto de vista taxonômico, Valladares criou inicialmente um sistema classificatório regido pelo tipo de material utilizado:

  1. Ex-votos em cêra, madeira e ourivesaria (destaca que os ex-votos de cera representam basicamente partes do corpo e quanto aos de madeira, “por cujo valor escultórico ganham cobiça, poucos restam”);
  1. Ex-votos de objetos e pertences ao próprio fato de o milagre (radiografias, fotografias, objetos como uma agulha de costura, restos de embarcações);
  1. Ex-votos em desenho e pintura (de suportes e técnicas diversas, nos quais ressalta a intenção narrativa);

Cada uma destas categorias é ilustrada por relatos verbais correspondentes a cada expressão típica, sobre os quais o autor procede a uma análise discursiva, em alguns casos amparado pela reprodução fotográfica da peça em consideração. Valladares considera que, “num certo sentido, poderia denominar muitos dêsses ex-votos simplesmente de correspondência com o Senhor do Bonfim”, ressaltando a “existência humana que se dá ao Senhor do Bonfim, no modo como é tratado nas dedicatórias, cartas e rogos”.

De um modo geral, as 148 peças analisadas por Valladares estabelecem uma relação entre suas expressões verbais e não verbais, com um foco bastante dirigido para a crítica das motivações sociais (contexto sociocultural da peça, do autor da peça e do ofertante/milagrado), considerando as condições de produção, distribuição e consumo. É certo que sua contribuição nos serviu de inspiração e fonte de referência, apesar das incoerências do esboço taxonômico. Valladares não chegou a centrar suas forças no desenvolvimento de uma epistemologia dedicada ao ex-voto, objeto em estudo. Mesmo assim foi capaz de produzir o conjunto de conclusões mais completo que tive a oportunidade de conhecer, entre todas as outras tentativas que já conheci.

O sistema classificatório que ele adotou preliminarmente mescla a função crônica da oferta (presentes e ex-votos propriamente ditos, por exemplo), as formas expressivas da oferta votiva (bases tipológicas) e suas propriedades de expressão sígnica (valor icônico, indicial ou simbólico). Procurei estabelecer e aprimorar essas distinções nos estudos que desenvolvi no campo da taxonomia da oferta votiva.

Quanto ao panorama de diversidades que apresentou no livro, posso afirmar que quase 75 anos depois esta é uma característica que só se reforça. O Museu dos Ex-votos ainda ostenta uma reserva técnica sem similar em toda a região Nordeste. A relativamente pequena “sala dos milagres”, na nave direita da igreja, encanta por alinhar testemunhos recentes com outros muito antigos, por não estabelecer distinções valorativas entre o que é exclusivamente católico e o que é de motivação sincrética e por ser um espaço público e extremamente acessível às oblações votivas.

A fé no Senhor do Bonfim torna sua “sala dos milagres” muito mais extensa do que a limitada no interior da igreja. De dia ou de noite, a Colina Sagrada é sempre um espaço de expressão de pedidos e agradecimentos, riquíssimo palco de performances pessoais, lugar que dilui definitivamente o rigor e a tangibilidade do que se pensa como sagrado. A fé no Senhor do Bonfim é um autêntico signo do patrimônio cultural baiano, acima de qualquer outra forma de classificação normativa.

A presença votiva do Senhor do Bonfim é uma das mais antigas do Brasil (a devoção já tem mais de duzentos e cinquenta anos), mas impressiona o seu vigor contemporâneo. Pelo valor artístico ou pelo valor religioso, as práticas votivas dedicadas ao Senhor Bom Jesus do Bonfim são essencialmente distintas da maioria do que se pode encontrar pelo nordeste do Brasil. A começar pelo caráter transcanônico da devoção: Senhor do Bonfim é sincretizado com Oxalá – segundo afirma Pierre Verger na sua obra Orixás – deuses iorubas na África e no Novo Mundo, “sem outra razão aparente senão a de ter ele, nesta cidade, um enorme prestígio e inspirar fervorosa devoção aos habitantes de todas as categorias sociais”, e afirma, ainda, que a Lavagem é uma aproximação com outra festa de origem africana: as “Águas de Oxalá”. Por essas razões,  as matrizes religiosas católica e afro-brasileira (especialmente o Candomblé) criam uma simbiose de harmonia poucas vezes verificada em qualquer outro lugar do país. A Lavagem do Bonfim é uma prova viva dessa manifestação de hibridação cultural, o Museu de Ex-votos e a tradicional e renovada “sala dos milagres” são outras.

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Sinful Saints and Saintly Sinners at the Margins of the Americas

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O catálogo dessa bela exposição, promovida pelo Fowler Museum, da UCLA (University of California, Los Angeles, 30/03/2014 a 20/07/2014), incluirá um texto meu e mais algumas fotografias, sob a temática do santoral profano sul-americano, meu assunto predileto nesses últimos anos. “Folk Saints in South America” foi traduzido para o inglês por Sabrina Gledhill, a quem agradeço todo o apoio e paciência. A curadoria da exposição é de Patrick A. Polk. ISBN 978-0-9847550-7-3. O catálogo foi publicado pela University of Washington Press.

O texto aborda os casos do Gauchito Gil e da Difunta Correa (Argentina), de Emilio Dubois (Chile), de João Rodrigues Baracho (Brasil) e da Corte Calé/Malandra do culto marialioncero (Venezuela), discutindo a gênese social das venerações e devoções não-canônicas.

NEWS RELEASE PDF:

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VI Seminário de Ciências Sociais, Ilhéus-BA

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Entre 06 e 08 de novembro 2013 participei de um tradicional seminário da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus-BA, a convite do antropólogo e professor Roque Pinto. Compus a Mesa Redonda “Fluxos contemporâneos: pessoas, imagens e capital”, na companhia dos pesquisadores Rodrigo Grünewald (UFCG) e Maria Luiza Santos (UESC). Em outro momento, ministrei um minicurso de “Fotoetnografia”, voltado para estudantes de graduação e público interessado.

Numa manhã muito agradável, discutimos sobre pecadores santos e etnologia indígena. A minha abordagem tratou da restituição da moral e das formas solidárias de redenção por via das canonizações populares e de como estas se relacionavam com as formas de culto regulamentadas pela Igreja Católica. O debate decorrente foi riquíssimo! Revelou questões sobre as características psicossociais dos devotos, um interessante revés nas relações entre criminalidade e vitimização, a função do imaginário sobre as divindades no processo de cura, as formas intangíveis de pactuação votiva, a relação destes cultos com os movimento neopentecostais e o impacto da indústria cultural na difusão dos ícones milagreiros. Fiquei surpreso com a quantidade e qualidade de vertentes interpretativas. Só renovou este nobre objeto de pesquisa e ofereceu mais um tanto de trabalho dali em diante.

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A expressão votiva católica na época de sua reprodutibilidade técnica

Confira o artigo de minha autoria, publicado pela Campos – Revista de Antropologia Social (UFPR): BONFIM, LAS.

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Ou em: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/campos/article/view/28261

Resumo: Este artigo problematiza as qualidades da originalidade e do valor estético nas artes votivas derivadas do catolicismo brasileiro. Ao partir do pressuposto de que “artes votivas” são as práticas e produções simbólicas que envolvem a consagração, renovação e pagamento de promessas – em geral culminadas pelos ex-votos – foi possível, a partir de exaustivo trabalho de campo, elaborar um inventário que envolveu mais de noventa sítios devocionais na região nordeste do Brasil, e se desdobrou em sistemas taxonômicos de diferentes níveis etnológicos. Em questão, o texto discute o posicionamento destes artefatos de produção espontânea dentro do universo artístico e dos bens reputados como testemunhos autênticos do imaginário popular e da memória social brasileira. Além disso, apresenta o fenômeno da seriação sobre as formas expressivas das ofertas gratulatórias, considerando as dimensões de ruptura e renovação que emergem dos diversos espaços de sua manifestação.

Foto: Luís Américo Bonfim

Ex-votos nos arredores da Igreja de Nossa Senhora das Dores, Juazeiro do Norte-CE. Jan/2010

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Gracias Gauchito Gil por todos los favores recibidos

Santuário Gauchito Gil, cercanias de Mar del Plata, Prov. Buenos Aires, Argentina

Comemora-se no dia de hoje o mais popular dos santos populares argentinos: Antonio Mamerto Gil Nuñez, também evocado como Gauchito Gil, Curuzú Gil, Gauchito Milagroso, El Gauchito. Na nação celeste e branco, as entranhas são de um vigoroso vermelho. Não há estrada, de leste a oeste ou norte a sul do país, onde não se encontre, ao passar de poucas dezenas de quilômetros, inúmeros santuários dedicados ao “santo rutero”, padroeiro dos motoristas e muito simpático aos delinqüentes, bandidos e foras da lei.

O conjunto de cultos e canonizações populares na Argentina é dos mais ricos da América do Sul, situando-se num patamar apenas comparável com as manifestações do Brasil e da Venezuela (especialmente no alcance das cortes do culto marialioncero). Seu “santoral profano” apresenta uma vasta galeria de tipos devocionais: sanadores, iluminados e guias espirituais, anjinhos, mulheres trágicas, gaúchos milagrosos. E a lista dos gaúchos é grande: Gaucho Juan Bautista Bairoletto (San Rafael), Gaucho Cubillos (Mendoza), Gaucho Lega (Saladas), Gaucho Bazán Frías (Tucumán), Gaucho José Dolores (San Juan), Gaucho Antonio María (Concepción), Curuzú José (General Paz), Francisco José, Turquiña/Miguel de Galarza, Gaucho Mariano Córdoba, Juan de los Dios Campos (Santiago de le Esteros), Julián Baquisay, Gaucho Altamirano, Finado Chiliento (Monteros). Nenhum deles tem alcance comparável ao santo do dia. O gaucho é um tipo humano mestiço das matrizes indígena, ibérica e africana, em geral ligado ao trabalho na pecuária, e cuja presença se espalha desde a região do río de la Plata (especialmente nos Pampas) até a Patagônia.

Supostamente morto em 08 de janeiro de 1878, as narrativas sobre o mito do Gauchito Gil são variadas. Em comum, guardam o fato de que sua morte foi injusta. O seu principal santuário foi erigido no local de seu martírio, nas proximidades da cidade de Mercedes (província de Corrientes), no cruzamento das rutas 123 e 119. Ali, centenas de milhares de fiéis chegam em todos os tipos de veículos (automóveis, caminhões, bicicletas, cavalos) e de todas as partes do país para celebrar o senhor das estradas. Poucos quilômetros adiante, na pequena cidade de Mariano I. Loza, encontra-se o Santuário de San La Muerte, outro mito popular cuja narrativa integra a biografia de Antonio Gil.

Nos últimos anos a Igreja Católica se aproxima gradativamente do culto. Em 2012, pela primeira vez, a diocese de Goya deslocou ordinário religioso para celebrar missa na Iglesia Nuestra Señora de Las Mercedes. Não se tratava exatamente de uma missa no Santuário, nem dedicada abertamente ao gaúcho, mas confirmava a intenção eclesiástica em participar ativamente da organização do trabalho religioso em torno da promissora figura devocional. Contrariando suas qualidades de fora da lei, a Igreja destaca suas virtudes heroicas. Gil sai da condição de quase bandido e vai à condição de injustiçado. Sem dúvida uma credencial mais digna para a ressignificação da sua personalidade e para o ingresso no rol dos servos de Deus.

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Estandarte votivo no Santuário Gauchito Gil, Mercedes, Corrientes

Como nas migrações festivas do Brasil, todos os anos são assustadoras as estatísticas de graves acidentes automobilísticos envolvendo romeiros/promessantes, e gerando toda sorte de superstições e ditos amaldiçoados sobre as rutas e seu trânsito, como se vê neste vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=SQQTmnv8_gM

O mito de Gil, em tradução livre da síntese de Félix Coluccio (in Cultos y Canonizaciones Populares de Argentina):

O gaucho Antonio Mamerto Gil Nuñez, o Antonio Gil, ou Curuzú Gil, em meados do século XIX, havia organizado nos arredores de Mercedes, Corrientes, um bando cuja imagem mais favorável era a de que roubava os ricos para dividir o obtido entre os pobres.

Tinha por esta razão uma boa fama entre a gente do povoado, que o ajudava em qualquer oportunidade, amparando suas fugas, proporcionando-lhe alimentos quando se escondia no monte, etc.

Contudo, surpreendido por uma patrulha policial, foi detido. Dois dias depois, o amarraram aos pés de uma algaroba e o degolaram. Mãos piedosas lhe deram uma sepultura e colocaram uma cruz em seu túmulo, que converteu-se em lugar de culto.

Quando visitamos o lugar, chegaram muitos cavaleiros, que levavam para deixar em lembrança e cumprimento de promessas, bandeiras e estandartes vermelhos (dizem que era federal). Não faltam placas votivas, nem flores vermelhas (naturais ou de papel), testemunhos de afeto e gratidão por graças recebidas.

Oración del Conductor ao Gauchito Gil

Concedeme Señor
una mano firme y una mirada alerta
para no herir a nadie a mi paso.
Tu que eres el autor de la vida,
no permitas que ningún acto mio
pueda dañar lo que ti viene.
Protege señor a los que me acompañan
a usar de mi coche para servir a los demas
y haz que el amor a la velocidad no me
haga despreciar la belleza del mundo
que tu has creado.
AMEN

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II Congresso Iberoamericano de Arqueologia, Etnologia e Etno-história

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Entre os dias 05 e 07 de junho de 2012 estarei em Dourados-MS (UFGD) apresentando comunicação oral no Grupo Temático 11 (Território, Culturas e Identidades). Falarei sobre “Devoções não-canônicas no Brasil e na Argentina: aproximações arquetípicas”.

Aproveitando a proximidade, estarei por uns dias em território paraguaio, observando duas importantes expressões votivas locais:

# Paraguai: Santuario de Nuestra Señora de Los Milagros de Caacupé (Caacupé), traços da festa Kurusu Ára (03/05, Día de la Cruz/Cruz de Mayo, Asunción).

Paraguai

Destinos no Paraguai

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